Atividade física, esporte e crianças: quando é necessário suplementar?

A prática de atividade física e/ou esportes são importantes em todos os ciclos da vida e recomendadas desde a primeira infância, por oferecer inúmeros benefícios logo nos primeiros anos de vida. Já é bem estabelecido os benefícios que a atividade física traz para a saúde e, quando bebê, o estímulo a brincar se movimentando, além de trazer o desenvolvimento da coordenação motora e noção espacial, permite que ela desenvolva as noções de domínio do próprio corpo, promovendo uma regulação introjetada do comportamento ativo, ou seja, por estímulos externos. Dessa forma, os pais devem incentivar os bebês a puxar e empurrar brinquedos, rolar, rastejar, engatinhar e conforme for crescendo e ficar de pé, a andar, chutar, escalar, sempre de acordo com as possibilidades e com a idade da criança.

As crianças ficam muito tempo na televisão, com brinquedos eletrônicos e esse tempo deve ser limitado ao mínimo possível, propondo a elas atividades variadas. Até os 7 anos, as crianças podem ter atividades livres por meio do brincar. Mesmo quando são incluídas atividades físicas como ballet, natação, judô e capoeira, serão mais recreativas do que esportivas e a criança precisa ter a opção de escolher o que fazer e não ser imposta pelos pais. Por mais que seja o sonho da mãe ver a filha fazendo ballet, pode ser que ela não goste, e isso tem que ser prioritariamente considerado. Talvez a criança não consiga se expressar adequadamente sobre isso, portanto, os sinais são muito importantes: não querer ir, não querer colocar a roupa da atividade, distração muito grande durante a aula, choro frequente para ir ou durante a atividade, birra com os professores ou coleguinhas da aula, enfim, diversos sinais podem mostrar que a criança não está interessada naquele momento. Pode ser que depois, em uma outra fase, ela venha a se interessar e não há problema algum nisso. Nesse período, mesmo com a atividade física, a alimentação deve ser normal, sem necessidade de incremento ou suplementação. Apenas deve-se atentar aos horários para que a criança não a pratique com a barriga cheia para não ficar desconfortável, não ter refluxo e nem vômito.

A partir do 7 anos é recomendando que as crianças pratiquem atividades recreativas, porém nessa faixa etária, muitas crianças também começam as práticas atividades físicas regulares, além de iniciarem no esporte. As atividades podem variar a intensidade, por isso hidratar-se e alimentar-se corretamente é importante. Da mesma forma que na faixa etária anterior, os pais tem a responsabilidade de apresentar as atividades para as crianças e permitirem que elas façam as escolhas. Leve-as para fazer aulas experimentais, deixem que durante um tempo pratiquem, até que vejam se gostam ou não, sem pressioná-las.

Mesmo se a criança não estiver em um atividade física regular, dentro das atividades recreativas, tem que se aplicar os esforços físicos moderados e vigorosos ao longo do dia. Caminhar, andar de bicicleta, correr, subir escadas, pular corda, jogar bola, tudo isso pode ser feito em velocidades que deixe a respiração ofegante ou atividades que necessitem mais esforços precisam estar dentro da recreação infantil. Isso pode ser feito com ajuda dos pais através de medidas simples, tais como fazer mais trajetos a pé ao invés de carro ou ônibus, ir em praças e parques, estimular a criança a praticar atividade física na escola, fazer brincadeiras em casa com a criança ao invés de ficar muito tempo na televisão ou outros aparelhos tais como tablet, celulares, smartphones, video game, etc.

Quando a criança pratica um esporte, sua alimentação requer uma atenção especial, principalmente se ela é uma pequena atleta. Geralmente, quando a criança apenas pratica o esporte, sem fins competitivos, não há necessidade de grandes mudanças na alimentação, mas os pais precisam ficar atentos se os filhos estão comendo adequadamente, ingerindo todos os grupos alimentares e notar se há sinais de cansaço excessivo ou fraqueza, principalmente durante a prática. Se isso estiver ocorrendo, deve ser avaliado se há déficit de algum nutriente para que seja feito a adequação nutricional e se necessário, a prescrição de suplementação.

Já no caso das crianças atletas, o acompanhamento nutricional é fundamental.  Para cada modalidade, há uma necessidade diferenciada que o nutricionista irá adequar, de acordo com o objetivo da fase de treinamento, competição ou recuperação do atleta. Geralmente, em crianças, isso tudo é feito apenas com alimentos. Mas em alguns casos, pode ser utilizado suplementos, principalmente com o objetivo de garantir o crescimento e desenvolvimento adequados.

O uso de probióticos e glutamina, por exemplo, pode ser muito eficaz para o fortalecimento do sistema imunológico, que muitas vezes fica suscetível em atletas e que já é mais fragilizado em crianças. O uso de vitaminas A e C podem auxiliar a neutralizar o excesso de radicais livres produzidos durante a prática esportiva. E as bebidas esportivas são úteis (em quantidades adequadas e calculadas pelo nutricionista) quando a atividade ou o treino tiver duração superior a 90 minutos ou as condições do tempo estiverem muito seca e quente. Porém tudo isso só deve ser feito por um profissional e nunca por conta dos pais.

Ao entrar na adolescência, outros fatores influenciam a pratica da atividade física: questões corporais, aceitação nos grupos, fatores como mídia, entre outros, podem ser motivadores para os adolescentes. Eles já possuem mais autonomias nas suas escolhas, mas os pais devem sempre incentivá-lo a evitar o sedentarismo, respeitando seus corpos, sem focar nos conceitos de gorduras e calorias, mas sim como uma forma de saúde, bem estar e como um tempo de dedicar-se a si mesmo, trazendo-os a consciência de que alguns padrões de beleza em que se espelham podem não ser fisiologicamente saudáveis, bem como os métodos para alcançar esses níveis podem ser extremamente perigosos, com consequências físicas, sociais e emocionais. Mas, deixá-los conscientes também de que encontrar no exercício uma forma saudável de praticar uma ou mais modalidades que lhes sejam agradáveis e prazerosas (correr, pedalar, andar de patins, fazer ballet, dançar, jogar vôlei, futebol, basquete, andar de skate, etc.) e adotar um estilo de vida saudável (dormir bem, alimentar-se bem, fazer coisas que gosta…) irão proporcionar inúmeros benefícios ao seu corpo, bem como peso e desenvolvimento adequado para o momento em que estão, de uma maneira muito mais prazerosa.

Já no caso de adolescentes que são atletas, muitos já podem se encontram na categoria de profissionais. Assim, o acompanhamento se faz estritamente com um nutricionista esportivo e a suplementação de acordo com a modalidade e fase do treinamento.

Os pais devem ser sempre os motivadores da atividade física para seus filhos e estarem sempre atentos em relação à alimentação dos pequenos. Uma alimentação variada, colorida, rica em alimentos integrais, proteínas, frutas, verduras, legumes, fontes de ferro e cálcio irão garantir que a prática ocorrerá de forma saudável e adequada. Sinais como falta de energia, cansaço, tonturas podem significar que algo errado esteja acontecendo e talvez esteja relacionado à alimentação. Nesses casos, procure um nutricionista.

Imunidade, Alimentação e Crianças: Como prevenir infecções nas estações mais frias

As doenças respiratórias são as causas mais comuns de comprometimento imune em crianças durante o outono e inverno. As variações de temperatura que acontecem durante o outono e as baixas temperaturas no inverno aumentam a chance das crianças ficarem doente justamente por não terem o sistema imunológico mais amadurecido como o dos adultos.  Uma alimentação saudável garante que o organismo consiga se defender adequadamente dessas infecções. Para isso, alguns nutrientes são fundamentais para manter o sistema imunológico funcionando adequadamente.

A vitamina A é um exemplo, pois tem ação anti-inflamatória e ajuda para o bom funcionamento do sistema imunológico. Pode ser encontrada em alimentos como cenoura, abóbora, fígado, mamão, manga, melancia, melão cantalupo, caqui, gema de ovo, batata doce, almeirão, espinafre e leite integral.

A vitamina C já é velha conhecida por combater gripes e resfriados. Na verdade, ela atua em diversos processos infecciosos e melhora a resistência do organismo. Pode ser encontrada em alimentos como laranja, limão, acerola, kiwi, mexerica, mamão, goiaba, caju, couve e pimentão.

Outra vitamina importante para o sistema imunológico é a vitamina E. Existem fortes evidências de que essa vitamina combata as infecções respiratórias. Ela pode ser encontrada nas oleaginosas como castanhas, amêndoas e nozes, nos óleos vegetais, nos ovos e peixes.

Os minerais como zinco e selênio também são muito importantes para a manutenção do sistema imunológico. O zinco é o mineral mais importante para a imunidade e também ajuda a afastar infeções oportunistas, podendo ser encontrado em carnes, peixes e oleaginosas, assim como o selênio, que também é encontrado nessas mesmas fontes alimentares bem como em aveia e arroz integral.

Também temos os probióticos, conhecidos por estabilizar a flora intestinal.  São microrganismos vivos que modulam o sistema imunológico, reduzindo o risco de vários sintomas de infecções das vias aéreas superiores. Os mecanismos pelos quais isso ocorre ainda não são claros, mas pesquisadores tem estudado diversas vias bioquímicas sobre as quais os probióticos atuam nos biomarcadores da imunidade e os resultados mostram que, conforme os sintomas diminuem, as células imunes aumentam, ou seja, os probióticos, em geral, aumentam a imunidade inespecífica.

 

 

 

Glutamina

A glutamina é um aminoácido condicionalmente essencial que, em condições metabólicas de estresse, como em algumas doenças, fica descompensada no organismo, sendo que sua reposição apenas da alimentação muitas vezes não é suficiente para suprir a demanda do organismo.

Sua função no organismo é ser substrato energético para as células do sistema imunológico e estimular a imunidade mediada por células.  De forma bem simples, sua falta ocasiona falta de energia essas células, comprometendo o sistema de defesa além de ter função imunomoduladora.

Quando falamos em fontes alimentares de glutamina, ela está presente em alimentos ricos em proteínas. O uso de suplemento de glutamina não é recomendado para indivíduos que tenha problemas hepáticos ou renais. Seu uso é indicado, geralmente, para pessoas que possuem alguma patologia gastrointestinal, pacientes críticos, em quimioterapia ou imunodeficiências com resultados significativos na melhora da resposta imune em pacientes adultos. Há poucos estudos sobre suplementação com glutamina em pacientes pediátricos e também há poucos estudos sobre a toxicidade da glutamina. Ela também é usada em atletas, durante algumas fases do treinamento.

Rotineiramente, apenas para as afecções de vias áreas sazonais, não se faria necessário o uso da glutamina, a menos que a criança apresentasse um quadro muito repetitivo e com prescrição do pediatra e/ou nutricionista, assim como outros imunomoduladores. A prevenção através de uma alimentação adequada ao longo do ano, além das medidas preventivas durante a estação tais como a higienização das mãos, evitar permanecer em locais fechados e outras, são muito eficazes para evitar essa situação, principalmente as repetições.

A suplementação deve ser considerada quando houver gripes, resfriados, infecções de gargantas e/ou otites frequentes. Em relação aos suplementos, a vantagem do uso de probióticos é que são seguros para a suplementação, não possuindo contraindicação e as reações adversas são muito raras (geralmente desconforto abdominal), bem como são raras as interações medicamentosas, quando comparados as vitaminas e minerais que possuem doses máximas recomendadas e, quando em excesso podem trazer prejuízos.  Sempre consulte um médico e/ou nutricionista antes de dar qualquer suplemento ou medicamento para seu filho, mesmo que seja considerado natural. Às vezes, pode ter algum tipo de interação que você não saiba e que pode causar algum prejuízo.

Aproveite para oferecer os alimentos citados, em preparações mais quentinhas como caldos e sopas. Como nos dias mais frios, muitas vezes pode haver recusa por saladas e frutas por causa da temperatura, procure aquecer os alimentos. Que tal uma salada de frutas quente com caldinha de mel e laranja como lanche da tarde?  Ou um bolo de frutas com castanhas? Aproveite e faça aquela carne com todos os legumes dentro. Com as folhas, um belo refogado ou uma farofa com castanhas. Um chocolate quente com leite de aveia ao invés do leite comum, ou use o leite das oleaginosas. Faça arroz doce com o arroz integral. Todas essas preparações vão os alimentos que fortaleceram o sistema imunológico do seu filho, são quentinhas, vão conter muito amor e vão garantir um outono/inverno prevenindo as infecções!

Alimentação na Escola: Como cuidar do que os filhos comem quando estão longe

A volta às aulas trazem algumas preocupações para os pais, que vão desde a adaptação escolar até o que os pequenos irão comer enquanto estiverem na escola. Tais preocupações são muito importantes, uma vez que, na atualidade, temos uma incidência de obesidade infantil alta e transtornos alimentares na infância, além de um ambiente obesogênico que, mesmo que a criança não esteja acima do peso, pode ocasionar diversos problemas para a saúde atual e futura.

Três situações podem ser vivenciadas pelos pais em relação a alimentação de seus filhos na escola, e cada uma delas requer um manejo diferenciado. A primeira situação é aquela na qual a criança leva o lanche de casa. Neste caso, os pais são os principais responsáveis por aquilo que vai na lancheira, principalmente quando as crianças são mais novinhas. Em geral, as escolas possuem uma preocupação com o que vai na lancheira e sugerem opções de lanches saudáveis e/ou determinam o dia em que possa ser levado alguma guloseima. Mas, nem todas as escolas possuem esse tipo de programa.

O maior desafio dos pais, neste caso, é manter sempre uma lancheira com alimentos frescos, saudáveis e variados diariamente. Muitas vezes, por falta de tempo, os industrializados acabam sendo os alimentos predominantes no cardápio do lanche escolar. Porém, o excesso de alimentos industrializados e processados podem ser prejudiciais aos nossos filhos, por conterem altas quantidades de açúcares, sódio, gorduras, corantes e conservantes. Vale lembrar que, mesmo alimentos considerados light, diet, integrais, reduzidos em gordura e outros, podem ter uma composição desequilibrada em relação as necessidades nutricionais de nossos filhos.

A segunda situação é aquela em que a criança compra o lanche na cantina da escola. Nem sempre as cantinas possuem opções saudáveis, sendo muito comum o oferecimento de salgados, salgadinhos, sucos industrializados, refrigerantes e doces. Esse é o caso mais delicado para o manejo dos pais, que precisam fornecer para seus filhos uma educação nutricional adequada, ensinando-os, dentro das opções disponíveis, quais as melhores escolhas.

A terceira é aquela na qual a criança consome as refeições oferecidas pelas escola. Nesse caso, a escola deve ter um nutricionista responsável pela elaboração de refeições equilibradas para as faixas etárias.

Para cada um dos casos há uma forma de proceder para garantir que a ingestão alimentar de seu filho seja a melhor possível.

Caso seu filho esteja enquadrado na primeira situação, você pode montar um pequeno cardápio juntamente com seu filho, pois pode acontecer dos pais mandarem o lanche e a criança não comer ou trocar com os amiguinhos, principalmente se na escola não há um controle sobre o que vai na lancheira. Como opções podem ser colocados no lanche: pães, biscoitos e bolos caseiros, feitos preferencialmente com grãos integrais; batata doce; biscoito de polvilho; panquequinhas; tapioca; milho cozido; muffins caseiros; torradas; sequilhos e barras de cereais caseiras. Como fonte de proteína, as sugestões são: creme de queijo com ervas; omelete; ovo cozido; pasta de lentilha; pasta de feijão; pasta de inhame; homus; patê de ricota; queijos frescos a base de leite animal ou vegetal; requeijão; manteiga; tirinhas de frango grelhado; pasta de amendoim (caso seu filho não seja alérgico) e, eventualmente peito de peru, presunto, queijo processado. Para beber, suco de frutas natural, água de coco, leites vegetais (soja, amêndoas, arroz, aveia, etc.), iogurtes naturais; leite fermentado; vitaminas de frutas. Evitar os achocolatados e sucos industrializados. Frutas e vegetais também podem compor a lancheira: frutas frescas ou secas, oleaginosas, cenoura ou pepino palito, lascas de coco e abóbora assada são alguns exemplos.

É claro que nem todos os dias, dependendo da rotina dos pais, é possível enviar alimentos tão frescos. Mas, o mais importante é tentar equilibrar e não fazer dos industrializados a primeira opção todos os dias. Hoje em dia também existem diversas empresas nas quais você pode comprar os lanchinhos semanais saudáveis e receber em casa ou diretamente na escola. É uma boa opção para quem não tem muito tempo ou não tem muita habilidade para a cozinha.

Certifique-se de que o seu filho está consumindo o lanche que leva e sempre interaja como ele sobre o que gostaria que fosse mudado. A flexibilidade alimentar é muito importante, portanto, permita que seu filho também leve alguma guloseima de vez em quando. Isso ajuda a criança a não ficar compulsiva por determinados alimentos, não passar vontade se ver algum amigo comendo e educa o seu filho sobre o que comer, quando comer e quanto comer.

Outro ponto importante, nesse caso, são as condições de armazenamento. A lancheira e a garrafinha de suco térmicas ajudam na conservação do alimento até o momento do consumo. Em dias de muito calor, pode ser que precise de auxílio na conservação: a dica é pegar garrafinhas pequenas e encher de água, levar ao frezzer e deixar congelada. Essa garrafinha pode ser colocada na lancheira para ajudar na manutenção da temperatura.

Para aquelas crianças que compram lanche na cantina, se possível, peça para a escola uma lista com todos os itens que são vendidos. Algumas escolas já fazem isso espontaneamente, enviando logo no começo do ano a lista com os preços e produtos comercializados. Dentre as opções, converse com seu filho sobre as melhores escolhas, como por exemplo, preferir alimentos assados aos fritos; como escolher o melhor tipo de suco; oriente-o a evitar os refrigerantes e combine com ele os dias em que poderá consumir alguma guloseima. Em algumas escolas é possível escrever na agenda o que seu filho irá comer naquele dia e os professores e auxiliares ajudam para que ele coma o que foi recomendado pelos pais.

No último caso, aquele em que a criança come o que é fornecido para a escola, certifique-se de que há um nutricionista responsável. A escola deve fornecer o cardápio semanal ou mensal com todos os itens e preparações que serão oferecidos. Converse com seu filho sobre o cardápio e se achar que algo não está de acordo, manifeste-se na reunião de pais ou converse pessoalmente com o nutricionista da escola. Esteja atento se a criança está comendo ou não, se tem repetido o prato ou a sobremesa.  Caso seu filho tenha algum alergia, restrição alimentar ou se tem alguma coisa que você não gostaria que ele comesse, avise à escola.

A melhor maneira de garantir que seus filhos terão uma boa alimentação, mesmo estando longe dos pais, é desde cedo educa-los sobre alimentação, empoderando-os a fazer boas escolhas. Lembre-se de evitar classificar alimentos como bons ou maus e também evitar termos como “jacar” ou “gordices” para que eles possam entender que a alimentação é uma escolha livre; o que vai determinar se isso será saudável ou não, é o tipo de alimento, a quantidade e a frequência consumida. Como diz o ditado: A diferença entre o remédio e o veneno é a dose!

Consumo de leite na infância: alergias e intolerâncias

O leite é um alimento presente na nossa vida desde o momento inicial em que adentramos ao mundo. Trata-se do primeiro alimento que nos é apresentado, seja na forma de leite materno ou através de uma fórmula infantil quando há impossibilidade da amamentação. Considerado um alimento tão importante quanto polêmico, o leite continua a fazer parte do nosso crescimento após o desmame da lactação materna, através do consumo do leite de vaca, principal tipo de leite animal inserido na nossa alimentação e quando esse alimento é inserido no repertório alimentar da criança é o momento em que muitos pais descobrem que elas possuem ou alergia ou intolerância.

Primeiramente, é importante diferenciar o que é alergia de intolerância, pois são dois quadros diferentes e como tal irão requerer manejo nutricional diferente também. Na alergia, o componente causador do quadro é a proteína do leite de vaca. Assim, a denominação correta é alergia a proteína do leite de vaca ou APLV. A alergia também pode ocorrer com outros tipos de leite (cabra, búfala e ovelha). É o tipo de alergia mais comum em crianças até 3 anos de idade, embora possa acontecer em qualquer faixa etária. O que acontece em um quadro de alergia é que há uma resposta exagerada do organismo ao alérgeno (proteína do leite) que produzem sintomas e sinais que podem ser muito graves e que podem ocorrer de imediato na ingestão ou algumas horas depois. Dentre os sinais e sintomas acontecem mais rápido podemos citar a inchaço na boca, dificuldade para engolir, náuseas e vômitos, dor abdominal, coceira, tosse e dificuldade para respirar e em casos mais graves pode chegar a anafixalia. Às vezes, podem aparecer reações tardias  como refluxo, diarreia, sangue e/ou muco nas fezes, constipação intestinal, coceira e vermelhidão no corpo, dermatite atópica.

Nos quadros de intolerância o que ocorre é uma deficiência na enzima que digere a lactose, que é o açúcar presente no leite. Essa condição pode ser inata, ou seja, a pessoa pode nascer com ela, ou a pessoa pode ter uma redução dessa enzima ao longo da vida. Na verdade, é muito natural que com o passar dos anos nós tenhamos um redução da lactase no nosso organismo, mas geralmente não é a ponto de nos tornarmos intolerantes ao leite, porém, em algumas pessoas ela pode baixar em níveis que dificulta a digestão da lactose. Por isso, muito se fala que quando adulto não precisamos tomar leite, porém isso não é uma verdade absoluta. Apenas para algumas pessoas, esse alimento passa a não ser tão bem tolerado devido a esse fator. Em contrapartida, tem pessoas que podem tomar leite a vida toda sem sentir nenhum desconforto. No caso da intolerância à lactose, os principais sintomas são dores abdominais e diarreia.

O tratamento da intolerância e da alergia é diferente: no caso da intolerância, o uso de leite com baixa lactose ou cápsulas com enzimas que fazem essa digestão na maioria das vezes já resolvem o caso.  Já nos casos de alergia, é necessária a exclusão total do leite e a substituição por outros tipos de bebidas (leites vegetais), sendo necessário avaliar a composição nutricional para que essa seja completa ou mesmo a dieta seja readequada para que nenhum nutriente seja deixado em déficit, principalmente em casos de bebês.

Geralmente, para bebês e crianças até dois anos, são indicados fórmulas infantis especializadas e próprias para crianças que tem APLV, e que são nutricionalmente adequadas. O maior cuidado está quando essa criança começa a ter contato com alimentos fora do ambiente de casa, como escola, casa de parentes e amigos, festinhas, e outros, onde os pais e e cuidadores precisam ter uma atenção especial para que ninguém ofereça alimentos que contenham leite para a criança, pois a menor quantidade que seja pode desencadear uma crise alérgica grave.

Outro cuidado que deve ser tomado é o de sempre ler o rótulo. Ainda que seja um produto que você esteja acostumado a comprar sempre, pode ser que o fabricante tenha mudado a composição de uma hora para outra. Dessa forma, todas as vezes que for fazer compras, ainda que seja o mesmo produto, a leitura do rótulo deve ser feita e com cautela. Procurar não apenas pela palavra leite, mas por ingredientes derivados do leite tais como: Lactoalbumina, lactoglobulina, fosfato de lactoalbumina, lactato, lactoferrina, lactulose, lactulona, caseína, caseína hidrolisada, caseinato de cálcio, caseinato de potássio, caseinato de amônia, caseinato de magnésio, caseinato de sódio (ou estabilizantes com caseinato de sódio), chantilly , creme de leite, leite (integral, semi-desnatado, desnatado, em pó, condensado, evaporado, sem lactose, maltado, desidratado, fermentado, etc.), leitelho, nata, nougat, soro de leite, gordura de leite, coalhada, proteína láctea, proteína de leite hidrolisada, whey protein (proteína do soro de leite, em inglês), fermento lácteo, gordura de manteiga, óleo de manteiga, éster de manteiga, composto lácteo, mistura láctea e/ou lactose.

No caso de desejar substituir o leite de vaca por leites vegetais, há opções como leite de soja que é o mais comum, mas também outros como leite de arroz, leite de aveia, leite de castanhas, leite de amêndoas, leite de coco e vários outros. O mais importante é avaliar a composição nutricional, pois a maioria deles não contém o principal nutriente do leite, que é o cálcio. A adição de cálcio pela indústria deixa esses leites enriquecidos, porém, muitas pessoas preferem fazê-los de forma caseira. Assim, deve-se atentar a consumir outras fontes de cálcio na alimentação para manter um equilíbrio na dieta. Na dúvida, sempre consulte um nutricionista.

Diabetes na Infância: Quais os cuidados nutricionais necessários?

O diabetes é uma doença que pode ocorrer em qualquer fase da vida e quando acontece na infância e adolescência, causa muita preocupação para os pais, pois exige um cuidado alimentar que modifica a rotina deles.  Trata-se de uma doença crônica cujo acompanhamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo e enfermeiro.

Existem dois tipos dessa doença:

Diabetes tipo 1 – a mais comum em crianças, que é uma doença autoimune, causada pela deficiência de insulina ocorrida por produção de anticorpos que destroem as células do pâncreas. Esse tipo pode assustar muito os pais, uma vez que os sintomas podem aparecer muito tardiamente, às vezes quando a criança já está em uma complicação grave que é a cetoacidose. Os sintomas que surgem antes disso são fome aumentada sem motivo, sede excessiva (a criança pode até querer beber a água do banho por sede, mas os pais podem achar que se trata mais de uma brincadeira ou de algo sem importância), fazer mais xixi (se a criança usa fralda, os pais podem precisar trocar muito mais vezes), perda de peso ou ainda ganho de peso insuficiente.

Diabetes tipo 2 – esse tipo vem crescendo muito em nossas crianças por conta da obesidade e do sedentarismo. Nesse caso, a produção de insulina não consegue manter a glicemia dentro da normalidade.

Em ambos, a falta da insulina faz com que o açúcar fique circulando no sangue e vá aumentando, ocasionando a hiperglicemia. Quando o corpo não dá mais conta de tanto açúcar, o excesso vai sendo eliminado pela urina (daí a necessidade de se fazer xixi muito mais vezes) e para compensar a perda de água, é preciso também ingerir mais água. Como o açúcar não consegue ser metabolizado pelo organismo, a gordura passa a ser a principal fonte de energia e por isso acontece a perda de peso.

O diagnóstico do diabetes tipo 2 geralmente vem associado com os outros fatores, principalmente com o sobrepeso e medidas como mudanças no estilo de vida, na alimentação e a pratica de atividade física, geralmente, já são suficientes para as melhoras nos exames bioquímicos e controle da glicemia. Uma dieta equilibrada, com restrição calórica orientada, evitar açúcares simples, diminuir o consumo de carboidratos, gorduras totais e saturadas e aumentar o consumo de fibras são as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018.

O envolvimento da família nesse caso é muito importante para a adesão da criança com diabetes tipo 2 e mostra correlação positiva com a diminuição do Índice de Massa Corporal (IMC)  e com o controle da glicemia.

Porém, quando se trata do diabetes tipo 1, a criança terá que fazer uso de insulina pois o seu pâncreas possui a deficiência dessa enzima. Além disso, ela irá precisar checar a glicemia várias vezes ao dia e vai ser preciso estabelecer uma boa rotina além de um forte vínculo com todos que assistem a criança ao longo do dia (escola, locais onde ela pratica esporte, faz cursos, etc), para que estejam informados sobre essa condição e sejam orientados sobre a possível oscilação da glicemia (hipo ou hiperglicemia) e de como devem proceder, caso isso aconteça.

No caso do diabetes tipo 1, para crianças e adolescentes, cada vez mais vem sido utilizado o esquema de insulina basal-bolus e neste caso, recomenda-se como estratégia nutricional o método de contagem de carboidratos. Esse método traz a vantagem de ser muito mais flexível e também de individualizar o tratamento, além de obter bom controle glicêmico.

A educação alimentar e nutricional é a principal estratégia utilizada no caso do diabetes tipo 2. Orientar a criança sobre quais as melhores escolhas alimentares para ela e trazê-la para a participação no seu tratamento é fundamental para que ela consiga ter entendimento e não veja apenas como proibições.

As festas infantis e épocas de comemoração costuma trazer muita preocupação para pais de crianças com diabetes, pois são momentos nos quais a criança fica exposta a muitos alimentos que lhe são restringidos. Nestes casos, a conduta irá depender muito do tipo de tratamento, mas é importante salientar que há diversas opções para essas situações, como levar a comida da criança separadamente (geralmente elas não se sentem constrangidas por isso, muito pelo contrário), no caso de crianças que fazem contagem de carboidratos é possível determinar o que e quanto irá comer de acordo com a administração da insulina, entre outras estratégias.  Esses momentos devem ser manejados da forma mais tranquila possível para que a criança sinta-se segura com o tratamento e não se sinta rejeitada ou excluída por consumir coisas diferentes.

Vale lembrar que em primeiro lugar, o tratamento para os dois tipos de diabetes sempre prioriza o crescimento normal, o controle de peso, e a manutenção dos níveis de glicemia de jejum e da hemoglobina glicada próximos da normalidade. Dessa forma, é imprescindível o acompanhamento com a equipe para garantir que todos os avanços tecnológicos e terapêuticos sejam utilizados para fazer o melhor para a criança!

Alimentação da criança com autismo

Existem muitos mitos em relação à alimentação da criança com autismo. Muitos pais acabam procurando cura pela alimentação e, sem o devido cuidado, pode cair em armadilhas que irão prejudicar o desenvolvimento de seus filhos.

O autismo caracteriza-se por uma síndrome neuropsicológica do desenvolvimento infantil muito complexa, na qual há desvio de comportamento e comprometimento nas habilidades sociais e de comunicação. Existem diferentes graus de autismo e este pode ou não estar associado a alguma outra síndrome. Sua causa ainda não é totalmente esclarecida, porém acredita-se ter um componente genético associado com fatores ambientais. Além das dificuldades psíquicas e comportamentais, no manejo com as crianças que possuem autismo se faz necessário também uma intervenção nutricional, uma vez que parecem ter mais sintomas gastrointestinais do que as outras crianças, sendo comum a ocorrência de dores abdominais, diarreias, flatulência, vômitos, regurgitação, perda de peso, intolerância aos alimentos e outros.

A explicação para tais sintomas é que em crianças com autismo são ocasionados por imaturidade intestinal e possíveis distúrbios no metabolismo das proteínas, porém ainda sem comprovações. Acredita-se que a maturidade intestinal tem importância no desenvolvimento cognitivo da criança e que o comprometimento dessa estrutura aumenta o risco de toxicidade. Essas toxinas teriam a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica e atuar nos receptores do sistema nervoso central, acarretando em atividades cerebrais alteradas.

Dessa forma, uma dieta que evitasse esse tipo de intoxicação é a base para sustentar as linhas de pesquisa atuais que buscam evidências que a retirada de componentes como o glúten e a caseína da alimentação dessas crianças melhoraria seu estado mental, diminuiriam a hiperatividade e melhorariam a comunicação e sociabilidade.

Embora faltem evidências científicas suficientes, na prática clínica, muitos pais relatam melhora de seus filhos ao fazer algumas modificações na alimentação. Como o glúten e a caseína parecem ser gatilhos não somente para as crises comportamentais, mas também para as alergias e para os sintomas gastrointestinais, a retirada desses componentes da alimentação parecem ter resultado após pelo menos 3 meses, sendo que alguns estudos relatam até 8 meses de suporte nutricional adequado, para que não haja deficiência de outros nutrientes, principalmente de cálcio, vitamina B6 e magnésio.

Vale lembrar que outras questões também envolvem o suporte nutricional no autismo. A seletividade, a recusa e a indisciplina, que é comum nessas crianças, limita a variedade de alimentos e as novas experiências alimentares e geram dificuldade na implementação de novos padrões alimentares, além de levar a carências nutricionais. O momento da refeição pode ser particularmente difícil para a criança, pais e/ou cuidadores, pois muitas vezes vem acompanhado de choro, agitação e agressividade por parte da criança. Além disso, é preciso considerar os fatores culturais e financeiros da família e a disponibilidade da mesma para fazer todas as mudanças necessárias.

Assim, antes de fazer qualquer mudança na alimentação de uma criança com qualquer grau de autismo, é importante uma criteriosa avaliação nutricional e o acompanhamento rigoroso para que sejam analisados todos os parâmetros bioquímicos regularmente e analisar quais contribuições no quadro clínico, bem como oferecer um suporte adequado para os pais e cuidadores preparem os alimentos de forma adequada, segura e com boa aceitação pela criança.

Como conviver com o consumo saudável e a industrialização em relação aos alimentos?

O processo de industrialização trouxe muitos benefícios por facilitar a nossa vida de diversas formas, principalmente quando a mulher passou a trabalhar fora e o seu tempo para a dedicação as tarefas do lar diminuiu.

Com isso, também passamos a ter mais comodismos e, claro que, em alguns aspectos, é muito bom ter mais facilidades em casa para poder passar mais tempo com outros afazeres e também com nossos filhos, poder se dedicar a outras tarefas e projetos.  Com isso, a indústria, que não é boba, cria cada vez mais demandas para consumirmos, sempre nos fazendo acreditar que realmente necessitamos daquilo, ainda que, depois de comprar, o produto fique nos armários de casa, sem uso.

Assim como acontece com os bens, acontece com os alimentos também. Para facilitar o transporte, para que os alimentos tenham maior vida de prateleira, a indústria desenvolveu uma séria de produtos que atendessem esse e outros apelos e criou outros que nem seriam uma necessidade, mas que acabaram virando essenciais para algumas pessoas. Claro, facilitou a vida, mas também trouxe algumas consequências desagradáveis para a nossa saúde.

Por exemplo, para conservar, os processos industriais utilizam muito açúcar de diversos tipos. O açúcar, além de conservante, também serve para dar textura e sabor aos alimentos. Dessa forma, em muitos produtos industrializados é muito comum encontrar na lista de ingredientes açúcar, açúcar invertido, dextrose, xarope de glicose/glucose, xarope de milho, maltodextrina, e outras formas de açúcares que muitas vezes os consumidores desconhecem. Com isso, passou-se a observar que o consumo excessivo de produtos industrializados poderia levar a doenças como obesidade, diabetes, etc. Então foram criados os produtos diet e light para atender as pessoas que estavam preocupadas com essas questões. Ainda assim, esses produtos não são totalmente seguros, pois também se sabe que o consumo excessivo de adoçantes pode trazer malefícios para a saúde e, alguns tipos de adoçantes ainda não possuem estudos suficientes para saber quais são esses males em longo prazo.

Então a indústria sempre cria algo para atender alguma necessidade, mas industrializados sempre precisam de uma avaliação criteriosa por parte dos consumidores, principalmente quando se trata da saúde de nossos filhos. A geração que hoje tem em torno de 30 a 40 anos, cresceu no auge dos produtos industrializados e do aparecimento dos fast-foods, e hoje é a população que mais precocemente está sofrendo com sobrepeso e obesidade e outras doenças crônicas como diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia. Foi uma geração que cresceu na cultura de que o leite industrializado seria melhor do que o leite materno (pasmem! Pois foi logo quando foi lançada uma das primeiras fórmulas infantis e a indústria chegou a convencer diversos pediatras de que seria melhor do que o leite materno), cresceu comendo biscoitos recheados e tomando leite com achocolatado, sucos em pó, hambúrgueres prontos, embutidos, salgadinhos de pacote e outras coisas.

E não, não culpem as mães dessa geração por isso. Elas foram praticamente as primeiras a estarem fortemente no mercado de trabalho, e foi muito importante para todas as mulheres isso. E o comprar representava de certa forma status. Era o que podiam fazer naquele momento e foram movidas pelo momento cultural da época. Assim como agora estamos fazendo um movimento contrário, evitando o consumismo porque agora temos mais conhecimentos do que tínhamos antes

E como equilibrar, como conviver com os processos industriais no que concerne à alimentação e nutrição de uma forma saudável? Primeiramente, adquirindo conhecimento, de fontes confiáveis. O novo guia alimentar para a população brasileira é o documento oficial e está riquíssimo em informações fidedignas, de forma fácil, direta e disponível para download na internet. Basta fazer uma busca básica e você consegue achar.

No dia a dia, preferir alimentos naturais, tentar cozinhar mais em casa, deixar os alimentos pré-preparados para facilitar o dia a dia. Uma das coisas que mais deixam as mães malucas é a questão do lanche escolar. Como montar lancheiras saudáveis, sem tantos industrializados? Bolos, pães, biscoitos podem ser feitos em casa. Mesmo se você trabalhar fora, tem pouco tempo, vale a pena pegar algumas horinhas e ir para a cozinha. Leve as crianças com você e esse momento em família com certeza será incrível.  Complete com frutas, queijos (dependendo do tempo que ficará fora da geladeira ou considerando uma lancheira térmica), suco de frutas, etc.

É claro que os alimentos industrializados podem entrar na rotina, mas em menor quantidade. Por exemplo, naquele dia que você não conseguiu preparar nada para a lancheira e comprou algo. Não se sinta culpada por isso. Está tudo bem. Todos temos um dia que estamos cansados, não queremos ir para cozinha, queremos comer fora, enfim. Não há nada de mal nisso. Mas equilibrar é fundamental para nossa saúde.

A importância da nutrição nos primeiros 1000 dias de vida

Os mais recentes estudos sobre nutrição materno infantil destacam a importância a nutrição para a saúde da criança desde a concepção até os dois anos de idade. Esse período é composto de 1000 dias e, de acordo com as pesquisas, tudo o que é feito em relação a cuidados de saúde nesse período tem impacto nas funções cognitivas, motoras e sociais dos pequenos, contribuindo para que o melhor de potencial em seu desenvolvimento seja alcançado.

Esses estudos sobre os 1000 dias começaram a partir de uma séria de artigos publicados em 2008, cuja temática era a desnutrição materno-infantil e, por meio do qual foram explorados diversos outros assuntos, incluindo as intervenções nutricionais, mostrando a necessidade de se construir esforços para o crescimento e desenvolvimento das crianças nesse período.

Nesse sentido, temos a nutrição como um fator primordial e de grande impacto na saúde da criança em curto e longo prazo. Os primeiros 1000 dias é um período de grande desenvolvimento do bebê que parecem ter forte regulação na epigenética da criança. Sendo assim, o aporte de nutrientes é fundamental para que cresçam e tenham o desenvolvimento de saúde global adequadamente.

Os benefícios que os cuidados nos primeiros 1000 dias em longo prazo são: diminuição da morbimortalidade infantil, maior estatura (pois a criança consegue alcançar o melhor do seu potencial de crescimento), melhor desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional, diminuição de doenças crônicas e obesidade, melhora na performance escolar e aumento da capacidade de trabalho e produtividade.

Assim, tudo começa com uma boa nutrição na idade fértil, onde a mulher que pretende ter filhos já deve manter uma nutrição adequada. Manter o peso adequado e boas condições de saúde são aspectos relevantes para iniciar uma gravidez de forma saudável.

Durante a gestação, com aporte nutricional adequado a essa fase da vida onde, por exemplo, as necessidades de ferro encontram-se aumentadas, bem como há necessidade da suplementação de folato e cálcio. A mulher deve cuidar do ganho de peso, realizar o acompanhamento pré-natal adequadamente, tomar as vacinas necessárias e se atentar para comer de forma equilibrada.

Assim que o bebê nasce, temos a importância do leite materno ou da fórmula infantil adequada em caso da impossibilidade de amamentar ao seio. O leite materno deve ser oferecido como fonte alimentar exclusiva até os 6 meses de idade e como complementar até 2 anos ou mais, de acordo com as orientações os órgãos de saúde.

Na introdução da alimentação complementar, há de se considerar não somente a ingestão nutricional adequada, mas fatores como a higiene dos alimentos, suplementação de vitaminas e minerais caso haja necessidade, bem como o fornecimento de água. A forma como ocorre essa introdução da alimentação no que concerne à consistência e utensílios utilizados para oferecer o alimento ao bebê também são importantes.

Apresentar diversos alimentos para o bebê auxiliam na formação de seu repertório alimentar. Nessa fase também é importante a identificação de possíveis alergias alimentares, evitar alimentos industrializados e respeitar a fome e saciedade do bebê. Além disso, não são recomendados o uso de sal e açúcar para que a criança aprenda a conhecer o sabor natural dos alimentos.

A partir de 1 ano, a alimentação da criança já pode ser semelhante à da família, ressaltando apenas que ainda é preciso evitar os alimentos industrializados, doces, refrigerantes e outras guloseimas. Nessa fase, a criança passa a ter maiores vínculos sociais e, consequentemente, fica mais exposta a esse tipo de alimentos, tornando eminente a promoção da educação alimentar e nutricional desde cedo.

Todos os cuidados impressos no período dos 1000 dias irão modular a programação metabólica e a expressão genética da criança e interferir ao longo de toda sua vida. Como base nesse conhecimento, os profissionais de saúde tem fortemente trabalhado em estratégias que orientem as famílias desde antes da concepção e todo o cuidado pré-natal e pós-natal necessários para garantir o melhor no que concerne ao desenvolvimento infantil.

É claro que a qualquer momento da vida a retomada por uma alimentação saudável irá trazer benefícios. Então, mesmo que os pais não foram orientados antes, sempre é tempo de reavaliar a alimentação atual e modifica-la. Sempre procure um profissional de nutrição para auxiliar com a sua alimentação, principalmente se estiver grávida ou se for mudar algo na alimentação de seu filho.

Compulsão Alimentar em Crianças e a Influência Digital

A influência da era digital em nossas crianças trouxe, recentemente, a discussão sobre até onde esse aspecto pode causar modificação comportamental em nossos filhos. Não é raro encontrar canais de vídeos na internet, onde adultos (e às vezes crianças), realizam diversas experiências, inclusive alimentares, que podem exercer uma ação psicológica nas crianças, uma vez que essas querem reproduzir os conteúdos apresentados nos vídeos.

Quando falamos de alimentação, salientamos que os comportamentos alimentares são formados e consolidados principalmente na infância, fase na qual a criança adquire diversas competências em relação ao aprendizado, desenvolvimento e maturação em sua totalidade psicobiofísica, social e afetiva, que levarão à construção da sua identidade. As relações iniciais com alimentos influenciam na formação de hábitos alimentares saudáveis e permite que a criança se torne autônoma em relação a sua própria alimentação, mantendo uma atitude positiva em relação à mesma sob a perspectiva biopsicossocial.

Quando a criança desenvolve suas competências alimentares de forma positiva, ela entende que a comida é algo funcional, seguro e saboroso, percebe quando ela é suficiente (tem consciência de seus pontos de fome e saciedade), mantém satisfação em relação aos alimentos e sabe lidar com as novidades em relação à comida.

O desenvolvimento dessas habilidades podem ser algo decisivo quando correlacionamos esses aprendizados com o desenvolvimento de obesidade/sobrepeso futuros e de transtorno alimentares.

Os transtornos alimentares são problemas muito mais frequentes na adolescência, apresentando incidência de cerca de 1% na população infantojuvenil e estão relacionados a fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Dentre os transtornos alimentares, temos a compulsão alimentar, caracterizada pela ingestão excessiva de alimentos em intervalos de tempo pequenos, com sensação de perda de controle e culpa.

Muitas vezes, os critérios diagnósticos para avaliar a compulsão alimentar em crianças e adolescentes podem não estar completos, por exemplo, uma criança pode fazer a alta ingestão alimentar e não sentir culpa ou o episódio compulsivo ocorrer sem a sensação de perda de controle. E isso é um desafio para a percepção dos pais, principalmente com a questão da influência digital.

O que acontece é que vários vídeos circulam livremente mostram os influencers ingeridos quantidades enormes de doces, guloseimas e outros alimentos de grande densidade energética e lipídica, sem nenhum filtro. Por exemplo, além de comer muito, a pessoa que está produzindo o vídeo coloca vários doces ao mesmo tempo na boca. Esse tipo de comportamento pode influenciar nossas crianças a reproduzi-lo, porém elas podem não sentir culpa por entender que como há um adulto em um vídeo fazendo isso, é algo normal.

Esse tipo de exposição é um exemplo de causa ambiental que pode causar compulsão alimentar. Outros que podem estar associados são restrições alimentares (como o caso de crianças em que os pais não deixam comer determinados alimentos, mas quando ela está sozinha ou na casa de amigos ela come descompesadamente o alimento proibido), baixa estima, preocupação com o peso, com o corpo e comida.

Impedir ou restringir o acesso tanto à comida quanto aos vídeos parece não ser uma estratégia muito efetiva, uma vez que esse comportamento se repetirá escondido dos pais e a proibição dos alimentos desencadeia mais desejo por eles. Abordagens baseadas em controle estão associadas a maior desinibição do controle posteriormente e é por isso que a compulsividade não se resolve dessa maneira. Isso é o que chamamos de desinibição do controle cognitivo, ou seja, a tendência de alguém que foi reprimido liberar o comportamento mediante a um determinado estímulo (que poderá ser emocional, por exemplo).

Dessa forma, o que os pais podem fazer para contribuir é primeiro, sempre ser honesto com seus filhos. Estar atento a qualquer modificação no padrão alimentar e comportamental de seu filho com algum tipo de alimento. As orientações familiares precisam ser neutras, todavia entender e entrar no mundo deles faz com que elas sejam mais aceitas pelas crianças e adolescentes. Exemplificando, se seu filho assiste um canal desse tipo e aumentou a procura por doce, explique a ele, tranquilamente, quais são os objetivos desses canais com esse tipo de vídeo e que ele pode provar esses alimentos algumas vezes se desejar. Uma estratégia para entrar no mundo deles é fazer uma experiência sensorial semelhante, porém com vários alimentos e não apenas doces, onde vocês possam experimentar juntos e irem contando a sensação de como é o sabor, cor, textura, cheiro e trabalhando a mastigação devagar e consciente. Assim ela entende que há uma variedade de alimentos, que não há supervalorização de guloseimas em detrimento de outros alimentos e trabalha a moderação.

Fazer perguntas para ele nesse momento pode ajudar: qual é o cheiro desse alimento? Ele é macio ou crocante?  Como é o gosto? Procure não dar respostas prontas para a criança, deixa-la livre para falar mesmo que seja algo que não tenha nada a ver. Coloque a sua opinião também sem julgamentos em relação à opinião da criança. Apenas exponha a sua. Não hesite em procurar um profissional se precisar de ajuda.

“Que todas as atividades relacionadas ao comer ou à comida sejam prazerosas!” (Guia Alimentar Japonês).

Transtorno opositor desafiador (TOD)

O Transtorno Opositor Desafiador, Transtorno Opositivo e Desafiador  ou Transtorno Desafiante e Opostivo é um transtorno caracterizado por dificuldade no controle do temperamento e das emoções, na qual a criança mostra-se resistente a ordens, perde a paciência facilmente, recusa-se a obedecer regras e mostra-se agressivo, ressentido, frequentemente com rancor e ideias de vingança.

É muito confundido com transtorno de conduta ou com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (devido ambos terem como característica a impulsividade), porém o diferencial e a característica do comportamento hostil e de um padrão global de desobediência e desafio, embora muitas vezes possa estar associado ao TDAH (cerca de 50% de quem possui TOD também possui TDAH) e possa evoluir para o TC (violações de conduta muito graves).

Cerca de 2% a 16% das crianças em idade escolar apresentam este transtorno. Geralmente ele é descoberto no momento em que a criança começa a frequentar a escola, é mais frequente em meninos e os sintomas costumam aparecer em torno dos 6 ou 8 anos de idade.

O diagnóstico é realizado por um neuropediatra e/ou psiquiatra infantil. O critério para o diagnóstico é a presença do comportamento alterado na maioria dos dias por mais de seis meses e classificação é leve quando ocorre em apenas um ambiente, moderado quando ocorre em dois e grave quando ocorre em três ou mais ambientes.

É um transtorno que costuma trazer muito desconforto para os pais, uma vez que eles ficam se questionando onde erraram na educação do filho, são frequentemente chamados na escola pelo comportamento do filho, e julgados pelas pessoas ao redor por acharem que não dão educação ao filho. As causas do problema podem ser sim no âmbito familiar, mas também pode ser motivada por outros ambientes, assim como também pode ser algum problema de regulação emocional/hormonal, pode ser algum fator genético ou fisiológico.

Trata-se de um transtorno que causa muito prejuízo social para a criança, pois ela geralmente é rejeitada nos locais que frequenta e tem baixo desempenho escolar.

Quando tratadas e acompanhadas, cerca de 65% das crianças deixam de ter os sintomas. Quando não acompanhadas ou quando os sintomas persistem, podem evoluir para o transtorno de conduta. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, melhor o prognóstico. O tratamento consiste em medicação, psicoterapia, prática de esportes e mudanças no ambiente familiar.

As crianças em suas diversas fases, apresentam comportamentos de desobediência e birra. Para saber se seu filho está apenas em uma fase ou se ele tem TOD, é preciso ficar alerta se os casos de desobediência forem muito frequentes, se ele ficar muito agressivo, não aceitar as responsabilidades por ser repreendido ao fazer algo inadequado e se descontrolar quando algo não sair da forma que ele gostaria.

Se seu filho tiver TOD, é importante saber lidar com o problema: sempre mantenha o controle, por mais que o seu filho esteja em uma crise de descontrole e mesmo que ele esteja te agredindo. Acolha o seu filho, porém seja firme com ele. Quando ele agir de forma inadequada, repreenda e mostre a ele qual o comportamento que não foi adequado, fale apenas sobre o comportamento e não sobre ele e dê “castigos” proporcionais ao que foi feit. Lembre-se sempre que bater só piora a situação. Busque ajuda profisisonal: existem algumas medicações que podem ser utilizadas e também a psicoterapia é fundamental, bem como uma intervenção de terapia ocupacional e de psicomotricidade.